Planilha de gastos mensais: como montar (e quando trocar por app)
Uma planilha de gastos mensais continua sendo uma das formas mais baratas e flexíveis de organizar o dinheiro: basta o Google Sheets ou o Excel, sem assinatura, com tudo do seu jeito. Neste guia, você aprende a criar a sua do zero em uns 10 minutos — e depois vê, com honestidade, quando a planilha funciona muito bem e quando ela começa a quebrar (spoiler: parcelas no cartão são o calcanhar de Aquiles).
Como montar sua planilha de gastos mensais do zero
Não precisa de modelo pronto. Abra uma planilha em branco no Google Sheets ou no Excel e crie a estrutura abaixo.
As colunas essenciais
Na primeira linha, crie estes cabeçalhos:
- Data — o dia da compra ou do pagamento.
- Descrição — o que foi (“mercado”, “tênis”, “conta de luz”).
- Categoria — alimentação, transporte, casa, lazer, saúde. Escolha de 6 a 10 categorias e não invente mais que isso, senão o resumo vira uma bagunça.
- Valor — quanto custou. Use sempre número, sem “R$” digitado junto (formate a coluna como moeda).
- Forma de pagamento — Pix, débito, dinheiro ou o nome do cartão de crédito.
- Parcela — se for compra parcelada, anote no formato “x/y” (por exemplo, “2/10” para a segunda de dez parcelas).
Dica: use a validação de dados (lista suspensa) nas colunas de categoria e forma de pagamento, para não acabar com “Mercado”, “mercado” e “MERCADO” como três categorias diferentes quebrando suas fórmulas.
As abas: uma por mês + um resumo
A estrutura mais simples que funciona:
- Uma aba por mês (“Janeiro”, “Fevereiro”…), cada uma com as mesmas colunas.
- Uma aba “Resumo”, que puxa os totais de cada mês e mostra o ano inteiro de uma vez.
No Resumo, monte uma tabela com os meses nas linhas e as categorias nas colunas. Assim você enxerga de cara se o gasto com delivery está subindo ou se dezembro estourou por causa dos presentes.
Fórmulas que fazem o trabalho pesado
Três fórmulas resolvem 90% do que você precisa:
- SOMA para o total do mês: some a coluna inteira de valores da aba do mês.
- SOMASE (SUMIF) para o total por categoria: a fórmula soma apenas os valores cuja categoria bate com o critério. Na prática: “some a coluna Valor sempre que a coluna Categoria for igual a ‘alimentação’”. É essa fórmula que alimenta sua aba Resumo.
- SOMASE por forma de pagamento para saber quanto vai cair na fatura de cada cartão: mesmo raciocínio, mas usando a coluna Forma de pagamento como critério.
Se quiser um passo a mais, selecione a tabela do Resumo e insira um gráfico de pizza ou de colunas — o Google Sheets e o Excel montam na hora.
Como registrar parcelas na planilha (o ponto fraco)
Aqui a coisa complica. Digamos que você parcelou um celular em 10x de R$ 250 no cartão. Na planilha, você tem duas opções — e as duas dão trabalho:
- Repetir a linha em cada mês futuro. “Celular — 1/10” em julho, “2/10” em agosto, e assim por diante: 10 linhas, em 10 abas diferentes, criadas manualmente (ou copiadas, ajustando o número da parcela toda vez).
- Registrar só quando a fatura chega. Menos trabalho por compra, mas você perde a visão do futuro: não dá para saber quanto já está comprometido nos próximos meses.
E tem um agravante: cada cartão tem data de fechamento diferente. Uma compra do dia 28 pode cair na fatura deste mês num cartão e só na do mês seguinte no outro. A planilha não sabe disso — quem calcula é você, compra por compra.

Com duas ou três parcelas ativas, dá para administrar. Com dez ou quinze compras parceladas espalhadas em dois cartões, a manutenção vira um trabalho mensal de verdade — e é aí que a maioria das planilhas morre abandonada.
Quando a planilha funciona (e quando ela quebra)
Sendo honesto com os dois lados:
A planilha funciona bem quando:
- Seu orçamento é simples: salário entra, contas fixas saem, poucas compras no crédito.
- Você paga quase tudo à vista, no Pix ou no débito.
- Você gosta de mexer em planilha — montar fórmulas e gráficos é parte do prazer.
- Você quer controle total do formato: colunas, categorias e relatórios do seu jeito.
A planilha quebra quando:
- Você tem parcelas em vários cartões, com fechamentos diferentes. Cada compra parcelada vira uma tarefa de manutenção que se repete por meses.
- Você quer projetar os meses futuros (“quanto da minha renda já está comprometida em outubro?”). Dá para montar, mas exige fórmulas e disciplina que a maioria não mantém.
- Você precisa registrar na hora da compra. Editar planilha no celular, na fila do caixa, é lento — o registro fica “para depois” e depois vira nunca.
- A disciplina de manutenção falha. A planilha não avisa nada: se você parar de preencher por duas semanas, ela simplesmente fica desatualizada em silêncio.
Se você se reconheceu mais na segunda lista, não é falta de força de vontade — é a ferramenta errada para o seu caso.
A alternativa sem planilha: um app feito para isso
O MeuGrana é um app para iPhone, grátis para baixar, criado exatamente para os pontos onde a planilha quebra:
- Registro em segundos, no celular. Você anota a compra na hora, em vez de acumular notinhas para lançar “quando sentar no computador”.
- Parcelas terminam sozinhas. Você registra “10x de R$ 250” uma única vez; o app distribui as parcelas nos meses certos e encerra tudo automaticamente quando a última cai. Nada de copiar linha e trocar “3/10” por “4/10”.
- Projeção das próximas faturas. Você vê hoje quanto já está comprometido nos meses seguintes, cartão por cartão — a projeção completa de 12 meses faz parte do Premium.
- Gráficos prontos e alertas, sem montar fórmula nenhuma.
- Funciona offline e os dados ficam no aparelho — o app não pede para conectar sua conta bancária.
Os recursos essenciais são gratuitos; quem quiser mais tem o Premium por pagamento único de R$ 19,90 (acesso vitalício).
E vale repetir: se você gosta de planilha e seu orçamento é simples, a planilha continua ótima — ela dá um controle total do formato que nenhum app oferece. A troca faz sentido principalmente para quem vive de compras parceladas e cansou da manutenção manual.
Planilha vs. app: comparação direta
| Critério | Planilha | App (MeuGrana) |
|---|---|---|
| Custo para começar | Grátis | Grátis para baixar |
| Liberdade de formato | Total | Estrutura pronta |
| Registrar na hora da compra | Trabalhoso no celular | Segundos |
| Parcelas | Linhas repetidas, atualização manual | Terminam sozinhas no mês certo |
| Fechamento de cada cartão | Você calcula | O app calcula |
| Projeção de meses futuros | Exige fórmulas e disciplina | Pronta no app |
| Gráficos | Você monta | Prontos |
| Alertas | Não tem | Tem |
| Privacidade | Depende de onde salva | Dados no aparelho, sem conectar banco |
Conclusão
Montar uma planilha de gastos mensais é rápido: seis colunas, uma aba por mês, uma aba de resumo e o SOMASE fazendo o trabalho por categoria. Para orçamentos simples e pagamentos à vista, é uma solução excelente e gratuita. O problema são as parcelas: repetir linhas, acompanhar fechamentos diferentes e projetar meses futuros exige uma manutenção que quase ninguém sustenta. Se esse é o seu caso, um app como o MeuGrana faz essa parte chata sozinho — e você gasta seu tempo decidindo, não digitando.
Perguntas frequentes
É melhor controlar gastos por planilha ou por app?
Depende do seu perfil. Planilha ganha em flexibilidade e custo zero, e funciona bem para orçamentos simples e pagamentos à vista. App ganha quando há muitas parcelas, mais de um cartão e necessidade de registrar na hora da compra.
Como registrar compras parceladas na planilha de gastos?
Crie uma coluna "Parcela" no formato x/y (ex.: 3/12) e repita a linha da compra em cada aba mensal até a última parcela, atualizando o número a cada mês. Funciona, mas é manual — e é o principal motivo de abandono das planilhas.
Qual fórmula usar para somar gastos por categoria?
Use SOMASE (SUMIF no Excel em inglês): ela soma os valores da coluna Valor sempre que a coluna Categoria corresponde ao critério que você definir, como "alimentação". É a fórmula ideal para alimentar a aba de resumo mensal.